Nunca passa
– É como viver com agulhas perfurando o coração o tempo todo. Ou como ter uma mão empurrando sua cabeça para dentro de uma piscina funda. É também como ter duas paredes se fechando e comprimindo seu peito em uma angústia cruel. É como se sentir tonta e não ter onde segurar, como levar um tiro e o socorro nunca chegar, como estar morto mas ser obrigado a viver como os vivos. É como se a cada futuro segundo parecesse chegar ao ponto mais alto da dor, mas nunca chega. Nunca passa.
Essa era eu, tentando explicar meus sintomas para um médico, que me encarou profundamente durante alguns minutos e disse:
– Menina, a medicina ainda não aprendeu a curar dor de amor. Só posso te dizer que vai passar. Eu não sei quando, nem como, mas uma hora, vai passar.
– Exatamente isso doutor. É como viver sentindo uma dor insuportável e ouvir o tempo todo que vai passar. É assim que me sinto.
E fui embora, me fingindo de viva. Fingindo que meu sangue corria normalmente nas veias, fingindo que ainda respirava como antes, na verdade apenas querendo que fosse possível pegar aquele tormento e arremessar longe, como fiz com nossas fotos. Mas isso seria fácil demais - e entre nós dois, nada nunca foi fácil.

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