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Sem querer, eu quero.

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Eu nem queria te querer tanto assim, eu juro. Se eu pudesse escolher, jamais escolheria você. Mas meu coração tentado ao erro, te escolheu sem me ouvir. E eu luto contra isso todos os dias, com todas as forças, com meu próprio querer. Eu luto contra mim mesma para não querer você – e mesmo assim eu quero. Mesmo me olhando no espelho e repetindo que só há dor por esse caminho, que você nunca nem me olha ao mesmo tempo, que seu batimento nunca nem encontra o ritmo do meu, mesmo dizendo para mim mesma que nunca foi recíproco, que seus olhos nunca nem me viram. Mesmo assim, meu coração sempre vence. E eu já nem sei o que fazer, para não te querer desse jeito louco, desse jeito torto, desse jeito burro. Porque mesmo sem querer, eu quero – e quando me dou conta, continuo querendo.

O que há por trás de você ?

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O que há por trás de você? Com esse sorriso no canto da boca, esse olhar que me corta ao meio, essa presença que desestabiliza, desconcentra, provoca. Tem de haver algo por trás desse tanto de frases conexas que saem da sua boca, dessa aparente anestesia que me causa, fazendo parar de doer todo o resto da vida. Não, você não vai chegar e bagunçar tudo, refazer meu mundo só para depois assoprar e m e mostrar que era palha, que o vento leva, que qualquer coisa destrói. Não, eu não vou sorrir de volta. Eu não vou mexer no cabelo. Eu não vou deixar esse coração pular aqui dentro do peito. Não, dessa vez não. Tem de haver algo por trás desse encaixe perfeito que parecemos ter, desse seu cheiro que nenhum perfume meu supera, desse abraço que cabe todo o amor possível. Tem que haver uma explicação, para essas brigas sempre terminarem da melhor forma, há de ter algo por trás dessa proposta irrecusável de viver uma paixão alucinante, aqui, no mundo real. Dessa vez eu não vou...

Ela foi embora

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Nós poderíamos ter sido inspiração para uma daquelas composições gigantes de Renato Russo, mas ela foi embora. Sem nunca nem ter ouvido a história de Eduardo e Mônica, ela foi embora. Renato morreu e ela não voltou. Ela nem mesmo quis ouvir o rock que eu curti em 86, nem entender meu jeito largado de ser. Ela tinha o coração gelado, mas o corpo em chamas. Eu me fiz em pedaços, implorei seu amor, mas ela não ficou. Riu e me beijou. Aquele beijo era droga. Muito pior que maconha ou cocaína. Eu não podia comprar, ela não queria saciar. Aquele beijo me tirou o chão, me levou no céu, me fez flutuar. Eu, um cara de quase trinta, nunca tinha sentido nada parecido. O que eram as paixõezinhas adolescentes perto daquilo? Eu poderia rodar o mundo inteiro, assaltar um banco, matar alguém por aquela mulher. Era frenético e desesperador. Era intenso e leve. Era paradoxal. Não tinha estrada, ela era curva. Não tinha saída, ela não tinha dono. Era dona de si mesma. Foi o que me d...

Acabou

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ACABOU. Foi o que ele me disse. Sem nem perguntar se meu coração ainda batia após ouvir isso, continuou explicando seus motivos. As palavras que saiam de sua boca mutilavam minha alma. Era como se estivessem me cortando aos poucos em várias partes imperfeitas, sem anestesia, sem me preparar antes. Feito pra doer. E como dói sangrar por dentro, talvez seja o pior tipo de dor, a que não se pode colo car curativo. Eu não tive força para esboçar reação nenhuma, nem falar nada,meu cérebro formulou tantos argumentos para o convencer a não me deixar, eu queria ter dito que planejei o amar durante toda a vida, que já havia escolhido a cor da parede da nossa cozinha e que tinha certeza de que ele seria meu melhor amigo sem prazo de validade. Eu queria ter dito que fiz durante tanto tempo muito mais por ele do que por mim, que não me arrependia disso, que o daria muito mais se tivesse chance. Eu queria ter dito que as memórias agora passavam na minha mente, como um jato de do...

Nunca passa

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– É como viver com agulhas perfurando o coração o tempo todo. Ou como ter uma mão empurrando sua cabeça para dentro de uma piscina funda. É também como ter duas paredes se fechando e comprimindo seu peito em uma angústia cruel. É como se sentir tonta e não ter onde segurar, como levar um tiro e o socorro nunca chegar, como estar morto mas ser obrigado a viver como os vivos. É como se a cada futuro segundo parecesse chegar ao ponto mais alto da dor, mas nunca chega. Nunca passa. Essa era eu, tentando explicar meus sintomas para um médico, que me encarou profundamente durante alguns minutos e disse: – Menina, a medicina ainda não aprendeu a curar dor de amor. Só posso te dizer que vai passar. Eu não sei quando, nem como, mas uma hora, vai passar. – Exatamente isso doutor. É como viver sentindo uma dor insuportável e ouvir o tempo todo que vai passar. É assim que me sinto. E fui embora, me fingindo de viva. Fingindo que meu sangue corria normalmente nas veias, fing...

Tua

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Eu seria tua de novo. Eu me entregaria novamente. Eu te seria paz nos dias difíceis, E acalmaria cada uma das suas tempestades. Eu seria tua de novo. Eu sorriria daquele jeito ingênuo. Usaria aquela sua blusa para dormir, E dividiria o lençol com você. Eu seria tua de novo. E te pediria para mim todos os dias. Pediria teu coração, Teu corpo, Teu cheiro. Eu despiria minha alma novamente, Sem nem pensar duas vezes, Acordaria de madrugada para te ver sonhar, Sonharia acordada ao te sentir me amar. Eu faria quase tudo de novo, Me jogaria nesse mar. Se tivesse a chance de voltar, Eu apenas, não acreditaria tanto. Não teria tanta certeza do eterno. Porque hoje eu sei, Eternidades passam rápido.

Me beija!

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Mas vem cá e me beija. Para de pensar tanto assim, faz. De surpresa mesmo, sem me preparar antes. Vem que eu finjo que não quero mas tô afim, vem que eu gosto de jogar mas correspondo sim. Vem que eu não vejo a hora de sentir seu gosto em mim. Pode chegar sem avisar, sorrindo daquele jeito meio garoto, meio homem – que me desmonta inteira. Chega e joga a mochila longe, não tira o olho de mim, part e pra cima. Se não der liga, a gente se empurra e finge que esqueceu. Se não for bom, a gente fica sem graça por uns dias e depois passa. Mas me beija. Me beija na chuva pra gente brincar de paixão de filme. Me beija na praia e se afoga em mim. Me beija na montanha que eu desapareço com o frio. Me beija no chão pra eu não ter onde segurar. Só me beija. Depois a gente vê o que faz... Se não der em nada, pelo menos – temos um beijo para guardar na memória. Se não der certo, pelo menos a gente se beijou.